Nesta terça-feira (8), a Câmara Municipal de Canoas promoveu um Grande Expediente voltado à causa animal. A sessão, proposta pelo vereador Cris Moraes (PV), teve como objetivo dar voz aos protetores credenciados da cidade, que utilizaram a tribuna para relatar vivências, apresentar denúncias e cobrar estrutura por parte do poder público municipal.
Ao abrir a sessão, Cris Moraes destacou que o pedido não era político, e sim social. “Muitos que estão aqui nem são meus eleitores, então não é um movimento político, é um movimento de proteção animal." Cris ressaltou a importância da rede de proteção para a construção das políticas públicas voltadas ao bem-estar animal em Canoas e que, desde o início do mandato, vem recebendo denúncias sobre irregularidades no Centro de Bem-Estar Animal,, especialmente no que diz respeito ao tratamento dispensado aos protetores credenciados. “Os protetores são o braço estendido do poder público. São os olhos do prefeito na comunidade onde os animais sofrem. Todo o serviço que a gente tem hoje na cidade de Canoas é construção dessas pessoas, então eles precisam ser ouvidos”, falou.
A primeira protetora a falar foi Magali Biffi, que leu publicações feitas pela atual gestora de Bem-Estar Animal, em que ela afirma ter sido convidada para o cargo por um deputado de direita para “resolver os problemas de uma cidade sob governo de esquerda”. Segundo Magali, a postura da gestora é excludente e ideológica. “Quando soubemos que ela seria a secretária, achamos que ninguém nos entenderia melhor. Mas ela não é protetora. Ela não atende, não escuta, não dialoga. Disse que ‘acabou o privilégio dos protetores’, mas nunca houve privilégio — houve entrega e trabalho.”
A protetora também denunciou um episódio recente envolvendo uma colega que buscava ajuda com uma ninhada de filhotes e foi recebida com um boletim de ocorrência. “Ela pediu ajuda e saiu de lá com a polícia sendo chamada. Isso é descaso, é abuso. E ainda vimos uma socialite, youtuber, com acesso ao atendimento enquanto protetores que vivem no limite são ignorados”, relatou.
Já Elaine Jubete fez um resgate histórico da construção da política de bem-estar animal em Canoas, exaltando o papel dos protetores. “Somos credenciadas, não cadastradas. Respondemos a edital público, tivemos nossa documentação analisada, fomos selecionadas por mérito. Representamos o município e devemos ser respeitadas como tal.” Ela enfatizou o impacto positivo da rede de proteção durante a tragédia climática de 2024. “Se não fosse a nossa atuação em maio, os danos teriam sido ainda maiores. Chegamos aonde o poder público não chega. Atuamos com responsabilidade, técnica e dedicação.” Elaine também questionou declarações da atual secretária de que os problemas da pasta surgiram antes de sua chegada. “Problemas surgiram a partir de 1º de janeiro. Não faz sentido dizer que foi chamada para consertar algo que funcionava. Funcionava porque havia diálogo, havia escuta. Hoje há portas fechadas e perseguição”, pontuou. E completou: “Não sou base do vereador Cris. Não votei nele. Mas estou ao lado dele nessa luta porque ele nos representa e sempre esteve com a proteção.”
Cláudia Azevedo, por sua vez, trouxe denúncias relacionadas ao não repasse do auxílio estadual de R$ 188 por animal resgatado durante as enchentes. “Ficamos com 200 animais sob nossa guarda. Cadastramos todos no sistema do Estado. A verba chegou à Prefeitura em janeiro, mas a secretária alegou ‘não saber como fazer o convênio conosco’. Estamos sendo ignorados. E, segundo o edital estadual, esse valor, que é maior que R$ 500 mil, terá que ser devolvido, prejudicando os animais e os protetores”, alertou. Cláudia também abordou a situação do abrigo emergencial Palmira Gobbi, criado durante a enchente. “Mais de dois mil animais já passaram por lá. O local foi estruturado com doações da sociedade. Mas a atual gestão retirou medicamentos, camas e insumos, e restringiu o acesso de voluntários. Hoje os animais dormem no chão, sem acolhimento digno. Temos vídeos que comprovam isso. Isso não é proteção, é negligência”, denunciou.
Em sua fala final, Cris Moraes voltou a defender que a causa animal está acima de ideologias. “Os bichos não escolhem entre direita ou esquerda. Eles querem alimento, tratamento, dignidade. E essa voz que ecoou aqui hoje, da Cláudia, da Elaine e da Magali, é a voz dos animais. Eu queria estar aqui celebrando avanços. Mas, infelizmente, estamos cobrando respeito. E seguiremos cobrando, essa luta é por eles.”
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